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A história da bombada festa de hip-hop Discopédia, que promove sua nova edição no CCJ neste sábado

09/março às 14:00 - 20:00

Vem pro CCJ neste domingo que tem a super festa Discopedia, que já fez história em São Paulo e é dedicada 100% ao uso e à valorização do vinil. Foi idealizada pelos DJs Marco (Céu/Criolo), Dandan (Criolo) e Nyack (Emicida) e o objetivo desse encontro é também resgatar a essência de um dos elementos da cultura hip-hop: o DJ. Apesar de a festa ser voltada ao hip-hop, não segue apenas um segmento musical, apostando em diferentes gêneros da cultura underground.

A história
Foram os DJs Dandan, Marco e Nyack que criaram a festa de hip-hop. Tudo começou em uma conversa despretensiosa de Nyack e Dandan em uma loja de discos em Londres. Estavam na cidade a trabalho, acompanhando tours de Emicida e Criolo, respectivamente.

Enquanto procuravam vinis para comprar, tiveram a ideia de uma festa onde pudessem tocar os sons que garimpavam em viagens pelo mundo e também percorrendo o Brasil. Logo lembraram de Marco, que costumava fazer o mesmo tipo de pesquisa musical. Na volta da viagem, marcaram os três uma reunião. Decidiram o nome, que faz alusão às “coleções do saber musical humano”, partindo da ideia de que, assim como um livro, um vinil pode contar histórias.

Em comum, tinham a convicção de que queriam sustentar seu projeto em dois pilares: o incentivo e a valorização da cultura do vinil e o resgate da essência de um dos elementos da cultura hip hop: o DJ.

Não à toa sentiam a necessidade de se unir e resistir: era uma época de mudança rápida e agressiva para a cultura DJ em São Paulo. Se por um lado a tecnologia que trouxe ao mercado controladores que simulavam o vinil e assim ajudou a fazer com que mais gente pudesse tocar, por outro fez com que muitos profissionais abandonassem totalmente os discos. Mais do que isso, pessoas disparando músicas direto do computador, do celular ou do iPod se autointitulavam DJs.

Ao se juntar a Dandan e Nyack, Marco deu a ideia de que a Discopédia rolasse em esquema de happy hour, das 19h às 23h, e fosse no Centro de São Paulo para facilitar a locomoção. Uma inovação e ao mesmo tempo um desafio, já que o público das festas de rap não estava acostumado a esse horário. Pois em uma quarta-feira, 12 de setembro de 2012, a Discopédia então ganhava sua primeira edição, no Executivo Bar.

Se as ideias vêm alinhadas desde aquela época, nos toca-discos, Dandan, Marco e Nyack são totalmente diferentes. E essa é a cereja do bolo da festa. “Brinco que o Nyack é o ‘rei da música’ por trazer as atualidades, o Marco ‘a lenda viva’ por contar histórias incríveis, não só dele como dos discos também, e eu o ‘malacado’, porque trago reflexões, polêmicas, faço paródia das músicas, conto umas histórias dos bailes antigos e por aí vai”, diz Dandan.

“Prestamos muita atenção um no outro para poder equilibrar a festa, o baile precisa de momentos diferentes, complementar é o segredo”, avalia Marco. “Todo dia eu aprendo a melhorar meu jeito de tocar. Meus parceiros sempre estão me ensinando a melhorar. Eu observo, ouço e aprendo vendo eles tocarem”, diz.

Ironia do destino ou não, 15 anos atrás, foi ele quem ensinou Nyack, na época ainda Fernando, a dar os primeiros passos na carreira. “Em 2003 comecei a comandar uma oficina de DJs na zona norte de São Paulo. No primeiro dia conheci o Fernando. Ele colou carregando alguns discos embaixo do braço e, assim que começou a mexer nos toca-discos, percebi na hora, pela expressão corporal: ‘ele pode ser DJ, já nasceu com o dom’.”

De volta a 2012, em pouco tempo perceberam que esses três estilos diferentes agradavam quando se juntavam: formaram rápido um público interessado na festa, mas também fiel ao vinil. Logo nas primeiras edições, já notavam que muita gente ficava perto dos toca-discos para prestar atenção aos discos, suas capas e tirar dúvidas.

Nos anos seguintes foram migrando para outras casas no centro, muitas vezes em busca de espaços maiores para comportar mais gente. A festa se firmava, e resgataram dos bailes dos anos 80 a ideia de fazer semanalmente especiais dedicados a determinado artista ou gênero. Hoje, já virou tradição.

Em 2014, mudaram-se para o emblemático atual endereço, na Trackers, em meio às Grandes Galerias da Rua 24 de Maio, um dos principais pontos de encontro da cultura afrodescendente desde os anos 70 em São Paulo.

Hoje, a festa é seguramente uma referência em São Paulo quando o assunto é vinil, além de ponto de encontro no centro para a juventude preta das periferias. “A Discopédia é muito mais do que uma festa, é um ato de cidadania. Você vê bgirls e bboys, tem o pessoal do dancehall, das danças urbanas, as MCs e os MCs que frequentam para curtir seus artistas preferidos, DJs que estão começando, querendo aprender e conhecer ou só curtir, nas paredes tem graffiti, tem os artistas que frequentam. A Discopédia é a verdadeira block party do Bronx. É um braço da história original de hip hop, é uma festa preta com todas os povos juntos, gritando por por mais empoderamento, pelo fim da homofobia, pelo fim do racismo, por direito à moradia, por direito a ocupar o centro”, afirma Dandan.

A história da bombada festa de hip-hop Discopédia, que promove sua nova edição no CCJ neste sábado

Detalhes

Data:
09/março
Hora:
14:00 - 20:00
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Local

Hall de Entrada
Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha
São Paulo, SP 02720-200 Brasil
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